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#34 Route 66 14/10 Oatman – em algum lugar do deserto

Por : Cacá em : 18/10/2016

#34 Route 66 14/10 Oatman – em algum lugar do deserto

#34 Route 66 14/10 Oatman – em algum lugar do deserto.
Acordar em Oatman foi fácil, temperatura agradável, 14 graus. Café da manhã com as deliciosas panquecas da aunt Gemima e rua, ou melhor, estrada. 

Antes dei uma volta pela pequena cidade fantasma do velho oeste. Só sobrou uma rua. Oatman foi fundada em 1906, sua economia era baseada na extração de ouro. O auge foi na década de 40. E como aconteceu na maioria das cidades da Route 66, com a chegada da interestadual 40, veio a decadência da cidade. As pessoas abandonaram suas casas e seus burros. Sim, os que foram trazidos pra cá no início do século. E seus decendentes de hoje são burros selvagens. Que sobem a colina no final do dia e durante o dia descem para Oatman, somente as fêmeas. Elas são a atração da cidade. E são fofíssimas. Hoje são protegidas por lei. 

Até a cidade de Needles foi outro cenário deslumbrante e só descida. A paisagem já mudou completamente. Não se vê mais os pinheiros do final do estado do Arizona. Agora só montanhas áridas, vegetação rasteira e rala. Já consegui ver os primeiros cactos. Como são lindos. 

Depois da minha conversa com o Imran e com meu Business Man, minha energia voltou ao normal. Ainda bem, estava me consumindo com as influências negativas. Então é isso aí. Vamos terminar a Route 66 do meu jeito. Com garra, com classe, com vontade, com vida e boas vibrações!! Ou seja, do meu melhor jeito. 

Em Needles aproveitei pra fazer uma laundry. Essa lavanderia era bem simples, quase lotamos a máquina. 

Ficamos parados ali naquele hotel à beira da Route 66 até às 14h. O sol estava bem ardido. E eu estava sem coragem de partir. Mas…é bem isso. Escolheu desafiar a mãe de todas as estradas. Agora vai lá gata!! Arrepia…

Vesti meus pernitos pra me proteger do sol, mais um reboque de protetor no rosto, barrinhas para o lanche, gatorade com muito gelo e fui ao encontro da caliente Route 66. Só estava fazendo 42 graus. Pedalei por menos de 500 metros na rota e antes de pegar a alça da interestadual 40, vejo uma ciclista, Sabine, estava com uma carinha de exausta. Está viajando com o namorado faz 4 meses, são franceses. Ofereci carona no RV, mas eles estavam querendo parar em Barstow. 

O primeiro trecho da tarde vai ter que ser pela interestadual 40. Aqui a rota desaparece. Quer dizer, vira a 40. 

A primeira hora da tarde foi bem sofrida. Sentia o meu corpo ferver. Meu rosto, meus braços e pernas. Algumas vezes jogava água na cabeça pra dar uma aliviada, mas em 15 minutos já estava seca novamente. Pois é, eu já estava no meio do deserto, região do condado de Mojave. O ar seco deixava tudo muito pior. Mas segui firme por quase duas horas. Neste trecho é proibido pedalar por conta do tráfico intenso de veículos. E quando faltava uns 40 minutos pra eu sair da estrada e pegar um trecho original da Route 66, vejo uma viatura policial, ele estava saindo do canteiro na mesma hora. Pensei: agora ele vai vir atrás de mim. Vai me mandar sair da estrada…Que ótimo, pensei, vou ser obrigada a entrar no motor Home e sem culpa… Hahaha. Que nada, acho que ele nem me viu e eu tive que suportar o calor à tarde toda. 

Pouco depois vejo uma placa da Historic Route 66, ufa. Vou sair deste caos de caminhões. É assustador pedalar com eles. Não é legal. Eles são gigantescos. 

Cai primeiro na estrada 95 e foi pior ainda. Uma estada com pista simples, com acostamento de terra e muitas pedras. E tinha um certo movimento de veículos. Uma hora um caminhão veio atrás de mim e não esperou o carro da outra pista, tirou a maior fina, tive que me jogar no acostamento de terra e quase cai. Que raiva. Sem falar que era feita daquele asfalto cheio de pedras, parecia uma estrada auto relevo, horrível de pedalar. 

Enfim depois de alguns quilômetros cheguei no trecho da Route 66. Melhorou muito. Estrada mais calma e o visual incrível. 

Passei por Goffs, cidade fantasma total e o cenário perfeito. Gabriel fez café e veio pedalar comigo. Foi ótimo. Pois este ultimo trecho foi bem sofrido, vento suave mas contra. Não conseguia passar de 15km/h e eu estou com o físico já bem surrado. Estou muito cansada estes últimos dias e não consigo me recuperar. Mas depois que o sol baixou, tudo fluiu melhor. À temperatura caiu, muitos trens passaram, a lua apareceu e o por do sol foi lindo. Pedalamos por quase uma hora e meia no escuro. Estava uma delicia apesar da minha exaustão física. Seguimos até o meio do deserto e quando encontramos uma estrada de terra perdida à direita, pronto, encontramos nosso canto pra passar a noite. 

Jantamos um peixe delicioso e cama!!

Amanhã vamos acordar antes do sol!

Beijos amores! 😘😘🙏🙏🙌🙌

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